TV PCB Pará - Documentário sobre Raimundo Jinkings

quinta-feira, 8 de abril de 2010

Heróis do PCB: Raimundo Jinkings


Olá camaradas.
Agora veremos a história do maior livreiro do norte do Brasil e um grande dirigente do nosso PCB. Dirigiu o PCB no Pará durante todo o conturbado período do ocaso da ditadura militar e também durante nosso luta contra o PPS.
Texto extraído da Wikipédia.
Biografia
Nascido entre os trabalhadores rurais, no pequeno povoado de Turimirim, distrito do município de Santa Helena, Maranhão, Brasil, Raimundo Jinkings teve uma infância pobre. Desde cedo aprendeu os diversos ofícios que lhe garantiriam a sobrevivência enquanto aprendia, com o pai, as primeiras letras. Mal entrava na adolescência quando, na sua avidez de saber, em meio aos pertences de seu pai, descobriu e leu o livro do filósofo alemão Schopenhauer “As dores do mundo”, que lhe fez compreender que as lutas dos outros povos do mundo são as mesmas lutas do nosso povo. E que a história do mundo é resultado da eterna luta entre opressores e oprimidos. Acreditava que a transformação do sonho da justiça social em realidade seria possível com esforço coletivo e organizado.
Muito jovem ainda, trabalhando como jornalista e bancário, Jinkings dedicou-se às lutas de resistência dos trabalhadores contra a exploração capitalista e por sua emancipação econômica e política. Assumiu o comando do movimento sindical no Pará, liderando o CGT-Comando Geral dos Trabalhadores, cuja luta pelas reformas de base, urbana e agrária, organizou e fortaleceu o movimento dos trabalhadores do campo e da cidade. Integrava, ainda, os quadros do Partido Comunista Brasileiro (PCB) quando foi deflagrado o golpe militar de1964, que objetivou impedir a transição de uma democracia limitada para uma democracia com ampla participação popular no país.
Como muitos brasileiros que resistiram à ditadura militar, pelas reformas sociais, por democracia e liberdade, Jinkings foi preso, teve seus direitos políticos cassados e foi sumariamente afastado de seu emprego em um banco estatal, pelo Ato Institucional Número Cinco, de 13 de dezembro de 1968, que intensificava o processo repressivo instaurado com a ditadura militar.
Quando saiu da prisão foi nos livros que buscou uma alternativa de sobrevivência. Leitor voraz, havia reunido em sua casa um rico acervo de livros, que comprava pelo reembolso postal, numa época na qual Belém carecia de livrarias. Foi esse contato próximo com editoras do sul do país que deu origem à Livraria Jinkings[1], ainda hoje um marco na vida cultural paraense.
Na condição de livreiro, Jinkings exerceu importante atividade formativa e política, preservando seu espírito combativo mesmo diante de um Estado autoritário, que visava impedir a qualquer custo o pensamento emancipador. A Livraria fundada por ele converteu-se em um ponto de encontro de estudantes, professores, artistas e intelectuais em geral que buscavam ali não somente uma literatura crítica mas também um espaço de discussão e reflexão sobre os rumos do país.

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Primeiros tempos

Raimundo Antônio da Costa Jinkings, o terceiro filho de Raimundo Jinkings e Francisca Leite jinkings, nasceu no dia 05 de setembro de 1927, em Turimirim, pequeno distrito de Santa Helena, região banhada pelo rio Turiaçu, no estado do Maranhão. Alfabetizou-se em uma pequena escola no município de São Francisco, para onde seus pais se mudaram, e continuou a estudar com o pai, em casa. Com apenas 8 anos perdeu a mãe, que morreu de parto deixando 8 filhos. A morte da mãe o marcou para o resto da vida.
Desde cedo aprendeu os diversos ofícios que lhe garantiriam a sobrevivência. Ajudava o pai, seja como boiadeiro, tangendo o gado (algumas poucas cabeças de gado bovino) e cuidando do rebanho de cabras – foi criado tomando leite e comendo queijo de cabra –, seja fazendo viagens a cavalo para o município limítrofe Pinheiros transportando mercadorias para a mercearia de seu pai, o “seu Dico”. Nas horas de folga brincava com ossos de bezerro, com os quais formava boiadas, além de outros brinquedos também improvisados. Aprendeu a caçar fazendo arapucas e pegando alguns animais que levava para comer com a família. Houve época também em que quebrou muito coco babaçu, que era comercializado pela família. Aos 12 ou 13 anos, juntamente com o irmão mais velho Hércules, foi para Pinheiros, para a casa das tias Zirza e Cora, ambas professoras, que o adotaram como filho e acompanharam seus estudos. Era chamado de “Diquinho” pela família.
Mal entrava na adolescência quando, na sua avidez de saber, em meio aos pertences de seu pai, descobriu e leu o livro do filósofo alemão Schopenhauer, “As dores do mundo”. Foi quando compreendeu que a luta dos outros povos do mundo é a mesma luta do nosso povo. Ao mesmo tempo, experimentou as razões do sofrimento do povo e sua vontade de fazer justiça.
Em Pinheiros, simultaneamente aos estudos, foi ajudante de alfaiate e de sapateiro. Já com 17 anos foi, ainda com o irmão Hércules, para São Luis, onde se empregou na tradicional loja de tecidos Rianil. Além disso, ele também vendia quadros de casa em casa e, ainda, estudava à noite.
Chegou a Belém do Pará em 1945. Acabara de completar 18 anos e foi se alistar na Força Aérea Brasileira (FAB), que convocava a juventude para suas fileiras. Foi no dia 29 de outubro de 1945, dia da deposição de Getúlio Vargas, ocasionada por um golpe do Exército, determinando o fim do Estado Novo. Iniciou o trabalho como soldado e em pouco tempo fez o curso e passou a cabo. Completado o tempo estabelecido para o serviço militar, passou a trabalhar como enfermeiro no Hospital da Aeronáutica.
Nessa época morava num casarão, onde se alugava quartos para rapazes, na esquina da Av. Tito Franco - hoje Almirante Barroso - com a Angustura. Continuou os estudos no ginásio Pará-Amazonas.
Em 1949, em uma festa no “Clube dos Aliados”, conheceu Mª Isa Tavares, com quem se casaria e que seria sua companheira por toda a vida. Logo em seguida, em 1950, prestou concurso para o Banco da Amazônia e foi aprovado. O menino santa-helenense conquistou um honroso 4o lugar em português. Ingressou no Banco no dia 26 de janeiro de 1951.

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Militância

Já militava, então, no Partido Socialista Brasileiro, cuja figura exponencial era o Dr. Cléo Bernardo, advogado, professor, deputado estadual e jornalista. Em novembro de 1951, Jinkings foi eleito Secretário Geral do Diretório do Partido e o Dr. Cléo, Presidente, fundando, portanto, o PSB no Pará.
Em 24 de dezembro de 1951 colou grau de humanista (curso ginasial) no Pará-Amazonas, tendo sido escolhido pelos colegas o orador da turma. Sempre se destacando, em 1952 entrou para o “Colégio Estadual Paes de Carvalho”, para cursar o 2o grau, e foi eleito para a diretoria do Conselho de Representantes do Centro Cívico Honorato Filgueiras, quando presidiu a comissão encarregada de elaborar o regimento interno do conselho.
Muito jovem ainda Jinkings dedicou-se às lutas de resistência dos trabalhadores contra a exploração capitalista e por sua emancipação econômica e política. Exercia forte liderança na luta dos bancários, Destacou-se na luta pelo monopólio estatal do petróleo, a campanha “O Petróleo é Nosso”, e foi um dos organizadores do 1o Congresso Regional Norte de Defesa do Petróleo, em 1952.
Em 1952, passou a escrever semanalmente para a "Folha do Norte" e também para o “Flash” e o “Estado do Pará”, iniciando aí a carreira do jornalista R.A. Jinkings.
Jinkings lutava em duas trincheiras: a das ruas e a dos meios (imprensa). Não raro, contam os historiadores, encontrava-se R.A. Jinkings encima de um caixote discursando contra o alto custo de vida (a carestia) e a exploração. Em portas de fábricas ou em praças ele tinha um grande poder de mobilização. Atacava em seus artigos e em seus discursos o Acordo Militar Brasil-Estados Unidos que em novembro de 1952 estava em processo de análise na Câmara Federal.
Era um momento em que o Pará fervilhava com a luta contra o “baratismo” – o governo do General Magalhães Barata. Havia enorme mobilização popular e de estudantes, com forte repressão policial. Formou-se uma coligação onde o pequeno PSB exerceu aguerrida oposição a Magalhães Barata. O candidato da coligação era o Marechal Zacarias de Assunção que, vitorioso, foi eleito governador.
Raimundo Jinkings casou-se com Maria Isa Tavares Jinkings em 2 de maio de 1953 e foram morar em um pequeno apartamento na Vila do IAPI, no bairro de São Braz. À noite estudava na escola técnica “Fênix Caixeiral Paraense”.
Em 1953, o PSB lançou a campanha Marcha da Fome que Jinkings liderou juntamente com Cléo Bernardo e Jocelyn Brasil. Os dois primeiros - cada um em sua coluna no jornal - deram enorme repercussão à campanha. Jinkings foi preso e processado pelo DOPS, mas, defendido pelo amigo Cléo, saiu vitorioso. A prisão se deu na véspera de um grande ato chamado pela campanha e que fora proibido. Era uma tentativa de impedir sua realização.

Política

A repercussão de seus artigos era grande. O seu estilo direto e “sem papas na língua” provocava reações, muitas vezes do personagem citado, geralmente ligado ao poder. Denunciou, em um de seus artigos, o presidente licenciado do BASA - onde ele era funcionário - o Dr. Gabriel Hermes, que utilizara a estrutura do estabelecimento em prol de sua candidatura. O castigo veio logo: Hermes usou sua influência e conseguiu que fosse punido com a transferência para o Acre – a pior agência do Banco na época. Amigos de Jinkings conseguiram “atenuar” o castigo e ele foi transferido para São Luiz do Maranhão.
Raimundo e Isa Jinkings em 1960, já com 4 filhos, na Praça Batista Campos, em Belém
Em junho de 1955 a família, já com duas filhas – a mais nova com apenas 2 meses - mudou-se para São Luiz e lá permaneceram por 3 anos. Jinkings assumiu interinamente a gerência da agência. Logo, foi convidado para assumir a gerência da agência de Bacabal e mudou-se para lá. Em pouco tempo ganhou a confiança do povo daquela cidade, inclusive dos comerciantes, devido à sua administração, elogiada pela Direção Central.
Estava já com quatro filhos: Nise, Leila, Antonio e Álvaro (os dois meninos nasceram em São Luiz). Continuava escrevendo artigos jornalísticos, sempre com o mesmo espírito de luta e justiça. Participava das lutas sindicais e se aproximou do PCB, devido o PSB não existir no Maranhão.
Decidiu voltar para Belém, em 1959, onde teria melhores condições de educar os filhos e espaço mais amplo para a luta política. O financiamento para a sonhada construção de sua casa havia sido aprovado pelo Banco da Amazônia, mais um forte argumento para o retorno.
Em 1960 participou ativamente da campanha para a presidência da República, em que foram candidatos Jânio Quadros e o Henrique Batista Duffles Teixeira Lott, o Marechal Lott. E, para Vice Presidente, João Goulart, o Jango. Nessa época a candidatura de presidente era desvinculada da de vice-presidente. Jinkings fez campanha acirrada a favor das candidaturas Lott-Jango, privilegiando o aspecto nacionalista. Os três maiores representantes da imprensa oligarca – Assis Chateaubriand, Júlio de Mesquita Fº e Carlos Lacerda - se uniram contra Jango e contra o Instituto Superior de Estudos Brasileiros – ISEB, que reunia intelectuais preocupados com os problemas nacionais. Venceu Jânio para presidente e Jango para Vice. Após um governo caótico, Jânio renuncia em agosto de 1961 em clima de convulsão social. Os militares tentaram impedir que Jango assumisse e foram vencidos por forte resistência popular liderada por Brizola. Jango assume a Presidência da República trazendo muita esperança e otimismo aos trabalhadores e aos nacionalistas.
Jinkings discursa em Ato Político de Paragominas, Pará
Era, então, presidente do Comando Geral dos Trabalhadores – o CGT – no Pará, o jornalista e bancário Raimundo Jinkings. Ele comandou o histórico 1º de maio de 1962 em Belém do Pará, mudando a linha das comemorações, antes com churrascos e festas. O CGT montou um palanque no centro de Belém, na Praça da República, chamou as autoridades locais, e fez um grande comício popular, que saiu depois em passeata. No palanque estavam os oficiais das três armas, o prefeito, o representante do governador e o bispo, como autoridades convidadas, e as Federações de Trabalhadores. Jinkings, como presidente do CGT, fez um discurso festejando a vitória da democracia que empossara Jango e respondeu publicamente a provocações vindas de autoridade ao fundo do palanque. Em seguida falou Zacarias Fernandes, representando a Confederação Nacional dos Trabalhadores, com a mesma linha política e exaltando o ato promovido pelo CGT. Nesse momento algumas dessas autoridades debandaram, entre elas o bispo Don Alberto e o cel. Jarbas Passarinho. No dia seguinte os jornais estampavam os coronéis esbravejando e batizando Jinkings como “perigoso agitador”, apelido que não o abandonou mais até o início da redemocratização a partir de 1982.
Nasceu em 1961 a filha mais nova, Ivana. Já moravam, então, na nova casa construída com o financiamento do BASA.

[editar]Resistência

Incomodava tanto a direita, conta Alfedo Oliveria, que em 1963, quando se candidatou a vereador de Belém, teve sua candidatura impugnada pelos comandos militares, ainda sob o regime democrático. [2].
Em 1964, no entanto, as visitas ao DOPS “para prestar esclarecimentos” se tornavam mais freqüentes. Em 31 de março o CGT reuniu-se e decidiu deflagrar uma greve geral como resistência ao golpe iminente. Redigiram um manifesto e Jinkings encarregou-se de levá-lo ao Jornal do Dia. Cláudio Sá Leal, que era secretário de redação do jornal, mostrou-lhe o Manifesto de Minas, que o alertou para a gravidade da situação. No dia 1º Jinkings ainda foi ao sindicato para uma reunião que convocara na véspera e lá percebeu a presença de uns bancários “estranhos”. Mesmo assim fez seu discurso defendendo o mandato de Jango, mas, já não havia tempo, estava deflagrado o golpe militar e começavam as prisões. Jinkings era secretário Sindical do PCB e foi ao “aparelho” do Partido, encontrando-se com Jocelyn Brasil, Diretor de Agitação e Propaganda, e Humberto Lopes, Presidente, quando decidiram separar-se e procurar abrigo. Logo após a saída de Jinkings os dois dirigentes foram presos.
Passou uns tempos escondido na casa de amigos e parentes, mas, ante a ameaça de ser demitido do BASA por abandono de emprego, combinou com o advogado, o dr. Alarico Barata, de se entregar.
Foi preso e respondeu a inúmeros IPMs, tendo seus direitos políticos cassados. O banco, impossibilitado de demitir um concursado, suspendeu seu pagamento e só voltou a pagar 1/3 do salário após decisão judicial. Jinkings, enquanto isso, tinha uma família para sustentar: Isa e os cinco filhos pequenos. Montou uma barraca na feira Batista Campos e passou uma temporada vendendo gêneros alimentícios. Os colegas do banco, simpatizantes e até adversários respeitosos faziam questão de ir comprar na banca do Jinkings e da dona Isa. Logo, ele conseguiu se tornar representante de algumas livrarias que já o conheciam como leitor voraz que volta e meia pedia livros pelo correio.
As editoras Civilização Brasileira, Brasiliense e Fulgor passaram a enviar novidades para que revendesse. Assim nascia a Livraria Jinkings, - na sala de visitas do número 1567 da Rua Mundurucus - um marco na história do Pará e até hoje um ponto de encontro. Vendia literatura, livros científicos e políticos. A livraria foi crescendo, tornou-se freqüentada por intelectuais, estudantes e gente de esquerda que faziam dali um lugar de encontro e de debate.
Jinkings continuou sua luta de resistência, ao tempo em que enfrentava os ataques dos opositores. Em 1979 inaugurou um prédio novo na Rua Tamoios nº. 1592, ampliando a livraria em moderna instalação. Era o ano da Anistia Ampla Geral e Irrestrita. Às vésperas da visita de Miguel Arraes, a livraria foi pichada e metralhada pelo CCC – Comando de Caça aos Comunistas, que ainda incendiaram o carro do casal. Durante todo esse tempo também houve várias batidas da Policia Federal em busca de “livros subversivos”. Nesse ponto há muitas histórias interessantes sobre a interpretação dos livros e a estratégia de Jinkings para não se deixar surpreender.

[editar]Democratização

Raimundo Jinkings, representando os trabalhadores do Pará, discursa ao entregar documento de reivindicações políticas a Tancredo Neves. Na presença de Sarney, Ulisses Guimarães, Jader Barbalho, por ocasião da Campanha pelas Diretas. Foto Leila Jinkings
Na livraria havia um grande salão nos altos que foi sede de reuniões políticas e culturais de inúmeros eventos, durante toda a redemocratização. Foi formada a Frente Democrática em que Jinkings estava no comando. A esquerda e os democratas apoiaram Jader Barbalho nas eleições de 1982, derrotando a chapa dos conservadores remanescentes de 1964 Oziel Carneiro e Jarbas Passarinho.
Jinkings continuava a escrever artigos políticos onde denunciava fraudes e escamoteações da “desesperada oposição” e também expunha seu ideário marxista leninista.
Foi novamente preso em 1982, desta vez em São Paulo, onde participava do VII Congresso do PCB. Oficialmente era um encontro da Editora Novos Rumos, já que era ainda ilegal a organização. Lá, Raimundo Jinkings foi eleito para o Comitê Central. Por recomendação dessa organização, foi candidato a Deputado Federal em 1986, obtendo cerca de 6 mil votos, número considerado bastante expressivo, especialmente pela campanha anticomunista, já que usava a sigla e o nome do Partido.
Depois de tantas lutas e tantas vitórias, enfrentou uma decepção: a onda que ameaçou a existência do Partido, quando alguns de seus membros correram a acolher as idéias de Gorbachev e tentaram mudar o ideário e os símbolos do Partido Comunista Brasileiro. Com ardilosa estratégia, conseguiram apropriar-se dos bens do Partido, simulando uma maioria no X Congresso, realizado em São Paulo. Renegavam os símbolos e o ideal marxista, mas se diziam o mesmo partido, para manter a estrutura física e a formal. Sem arrefecer, Jinkings, acompanhado de inúmeras lideranças, como Oscar Niemeyer, Ana Montenegro, Horácio Macedo, Zuleide Mello e muitos outros, refundaram o PC – Partido Comunista – e lutaram para reaver a sigla (PCB), que era disputada com Roberto Freire, que chegou ao cúmulo de registrá-la no INPI, como sua propriedade.
Mais uma vitória de Jinkings: o Pará foi um dos primeiros entre os poucos estados brasileiros que conseguiram o registro formal do Partido, enfrentando uma burocracia restritiva cruel. Mais uma demonstração da sua tenacidade e convicção.
Só foi vencido em 1995, depois de longa enfermidade, não sem lutar muito. Antes, em 1993, foi eleito o Livreiro do Ano pela Câmara Brasileira do Livro e foi homenageado na Bienal do Livro. Deixou como legado a sua luta pela igualdade e contra as injustiças, o seu amor aos livros, uma família – 5 filhos, 9 netos e 1 bisneto – e muitos amigos que permanentemente o homenageiam.
Em 2007, foi construída uma página na internet, o blog do Raimundo Jinkings[3], por iniciativa de amigos, filhos e netos, além da sua companheira Isa, com o objetivo de manter viva sua história.

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Heróis do PCB: Jocelyn Brasil


Olá camaradas.
Continuando nossa epopéia trazemos hoje a História do brigadeiro Jocelyn Brasil, grande camarada que tive o prazer de conhecer pessoalmente. Texto retirado de wikipédia. 
Jocelyn Barreto Brasil Lima (Sobral, 3 de junho de 1908 — Fortaleza, 8 de junho de 1999), mais conhecido como Jocelyn Brasil ou comoPedro Zamora (pseudônimo literário), foi um jornalista, escritor e coronel-aviador da Força Aérea Brasileira, de onde pediu reserva em 1952, como brigadeiro.
Deolindo, seu pai, era jornalista e trabalhava no jornal paraense A Província do Pará.
Na carreira militar, Jocelyn chegou a Comandante da Base Aérea de Belém, com a patente de Coronel da FAB - Força Aérea Brasileira. Logo em seguida, foi reformado no posto de Brigadeiro.
O escritor Jocelyn Brasil sendo entrevistado em livraria infantil (1998)
Combateu o governo de Magalhães Barata e nos anos 1950, integrou a Coligação Democrática Paraense, que elegeu Alexandre Zacarias de Assumpção. Foi a primeira derrota de Barata. Jocelyn teve papel destacado nessa campanha.
Comunista, foi homenageado no último Congresso Nacional do PCB - Partido Comunista Brasileiro na capital carioca.
Entre os livros que escreveu destacam-se: Marxismo: a "Varinha de Condão"; O Mapa da Mina (a luta pelo petróleo); Voce acha que entende de futebol? Eu também; Andanças e Lembranças(memórias); Memorial de um Cearense Enjeitado; Entre Letras e Baionetas- a trajetória de Raimundo Jinkings, além de outros. Em jornais e revistas publicou muitos trabalhos de crítica política e social. Os artigos esportivos ele assinava como Pedro Zamora.
Jocelyn Brasil,em 1989, visitou a Base Aérea de Belém para mostrar a uma pessoa amiga a foto de quando ele foi Comandante daquela unidade. A fotografia dele foi retirada da galeria dos excomandantes, quando Jocelyn foi preso.Após a Anistia a fot não retornou, permanecendo vazio o lugar de um excomandante que é tido como um militar que sabia exercer a autoridade com humanidade. O comandante da base aérea Jocelyn Brasil contava com os respeito dos militares  subordinados a ele.
Uma faceta pouco conhecida do escritor era o seu amor pelo futebol.Escreveu, assinando Pedro Zamora, o livro "Você Pensa Que Entende de Futebol? Eu Também."

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sábado, 3 de abril de 2010

TV online, Rádio online, notícias em tempo real: PCB

Olá camaradas.
Estamos inserindo e testando novos recursos em nosso blog. Como novidades temos:

1. Seção que acompanha o twitter do partido nacional;
2. Seção que acompanha as atualizações do site nacional em tempo real;
3. Seção que acompanha todas as notícias (na web) em português sobre o PCB em tempo real;
4. Tela de vídeos que exibe uma sequência de vídeos pré selecionados (documentários, vídeos do PCB, etc);
5. Rádio web online com músicas, vinhetas e notícias sobre o PCB (em desenvolvimento).
Esperamos que gostem e que opinem

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sexta-feira, 26 de março de 2010

Programa de 25 de março e o novo site do PCB

Camaradas!

Gostaria de compartilhar com todos a alegria de ver nosso partido se fortalecendo. Ontem tivemos o excelente programa do nosso partido, onde apresentamos a nossa ideia de lançarmos uma candidatura própria, sem dúvida uma excelente notícia! Ao mesmo tempo tivemos a inauguração do novo site do PCB que finalmente se mostrou mais digno de nosso partido.

Algumas observações:
1. Somos o primeiro blog e site a dar essa notícia!
2. O site ficou muito bom, infelizmente os camaradas não aceitaram nossa contribuição no desenvolvimento dele, mesmo a gente sendo o único especialista registrado no Brasil na ferramenta que foi utilizada no site: Joomla!
3. Não foi divulgado no programa o lançamento do site.


SITE: www.pcb.org.br

PROGRAMA DO PCB

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quarta-feira, 24 de março de 2010

Heróis do PCB Paraense: Dalcídio Jurandir - Biografia incompleta

A biografia abaixo considero incompleta devido ao pouco relevo que é dado a sua faceta de militante do PCB, por isso pretendo ir completando essa biografia aos poucos, revelando o grande líder comunista que existiu em perfeita simbiose com o grande romancista.

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Dalcídio Jurandir nasceu na Vila de Ponta de Pedras, Ilha do Marajó (PA), em 10 de janeiro de 1909, filho de Alfredo Pereira e Margarida Ramos. Em 1910 mudou-se para Vila de Cachoeira, na mesma ilha. Ali passou sua infância, aprendendo com sua mãe as primeiras palavras.

Em 1916, passou a freqüentar a Escola Mista Estadual. Fez o curso primário do Professor Francisco Leão, em 1921. No ano seguinte, partiu para Belém, onde se matriculou no 3º ano elementar do Grupo Escolar Barão do Rio Branco.

Obtém o certificado de estudos primários, em 1924. Matricula-se, no ano seguinte, no Ginásio Paes de Carvalho. Antes de completar o segundo ano, em 1927, cancelou sua matrícula e viajou para o Rio de Janeiro (RJ), a bordo do navio do Loide, Duque de Caxias, em 1928.

No Rio, enfrentou dificuldades ao chegar. Foi lavador de pratos no Café e Restaurante São Silvestre, no bairro da Saúde. Conseguiu, após um breve tempo, o lugar de revisor na revista "Fon-Fon", onde colaborou sem remuneração. Voltou a Belém no mesmo navio, tendo aproveitado a viagem para ler livros de clássicos portugueses e de poetas nacionais, que lhe foram emprestados por seu amigo, Dr. Raynero Maroja.

Em 1929, Dr. Raynero, como Intendente Municipal de Gurupá, no Baixo Amazonas, nomeou-o Secretário Tesoureiro da Intendência Municipal. Segue para Gurupá em outubro. Lá escreveu a primeira versão de "Chove nos campos de Cachoeira".

Em novembro de 1930, deixou o cargo para trabalhar na região das Ilhas, município de Gurupá, às margens do rio Baquiá, de propriedade de Pais Barreto, que se tornara seu amigo e ensinara as primeiras letras a seus dois filhos.

Em 1931, conclui um livro de contos e um romance, nos quais narra lembranças da infância em Marajó. Fez versos e descreveu paisagens. Retornou a Belém, sendo nomeado auxiliar de gabinete da Interventoria do Estado. Colaborou com vários jornais e revistas, como “O Imparcial”, “Crítica” e “Estado do Pará” e, no ano seguinte, na “Guajaramirim” e “A Semana”. Comunista assumido, participou ativamente do movimento da Aliança Nacional Libertadora. Foi preso em 1935, tendo ficado dois meses no cárcere.

Em 1937, foi preso novamente e ficou três meses detido. Somente em 1938 retornou a Marajó, reassumindo suas funções na Diretoria de Educação e Ensino, tendo sido designado a exercer a comissão de Inspetor Escolar em Salvaterra. Reescreve o livro “Chove nos campos de Cachoeira” e, também, concluiu seu segundo romance, “Marinatambalo”, publicado sob o título de Marajó. Colabora nas revistas “Terra Imatura” e “Pará Ilustrado”.

Em 1940, foi agraciado com o Prêmio Dom Casmurro de Literatura, concedido pelo jornal de mesmo nome e pela Editora Vecchi, com o romance "Chove nos Campos de Cachoeira". Faziam parte do júri, entre outros, Oswald de Andrade, Jorge Amado, Rachel de Queiroz e Álvaro Moreira.

Voltou ao Rio de Janeiro, em 1941, onde seu livro premiado foi lançado. Retorna a Belém e passou a trabalhar na Delegacia de Recenseamento. No final do ano viajou para o Rio de Janeiro, onde passou a exercer, em 1942, intensa atividade jornalística em “O Radical” e “Diretrizes”, sendo que neste último atuava como redator, repórter e colunista.

Em 1944, fechado o semanário “Diretrizes”, passou a redigir textos publicitários e legendas para filmes de educação sanitária no Serviço Especial de Saúde Pública – SESP. Colabora com o “Diário de Notícias”, no “Correio da Manhã” e na revista “Leitura”.

Em 1945 e 1946, fez parte da redação do jornal “Tribuna Popular” e colaborou nos jornais “O Jornal”, “A classe operária” e na revista “O Cruzeiro”.

No ano seguinte, seu livro “Marajó” foi editado pela Livraria José Olympio Editora.

Pela "Imprensa Popular", em 1950, foi ao Rio Grande do Sul fazer uma pesquisa acerca do movimento operário do porto do Rio Grande. Desse trabalho surgiu seu livro “Linha do Parque”, escrito entre 1951 e 1955.

Viajou à União Soviética, em 1952.

Foi ao Chile, em 1953, onde participou do Congresso Continental de Cultura.

Em 1956, no seminário “Para Todos”, trabalhou ao lado de Jorge Amado, como redator.

Lança, pela Livraria Martins Editora, seu terceiro romance: “Três casas e um rio”, em 1958.

Publica, em 1959, o romance “Linha do Parque”, pela Editora Vitória.

No ano seguinte, publica “Belém do Grão Pará”, pela Livraria Martins Editora. Recebeu o Prêmio Paula Brito, da Biblioteca do Estado da Guanabara, e o Prêmio Luiz Cláudio de Souza, criado pelo Pen Club do Brasil.

A edição russa do romance “Linha do Parque” é lançada em Moscou no ano de 1962, com apresentação de Jorge Amado.

Publica, em 1963, “Passagem dos inocentes”, pela Livraria Martins Editora.

Termina de escrever “Os habitantes”, em 1967.

Em 1968, lança pela Livraria Martins Editora, “Primeira manhã”, e conclui “Chão de Lobos”, penúltimo romance da série “Extremo-Norte”.

O último romance da série acima citada, “Ribanceira”, é concluído em 1970.

Pela Livraria Martins Editora publica, em 1971, o romance “Ponte do Galo”. Aposentou-se, como escritor.

Em 1972, a Academia Brasileira de Letras concede ao autor o Prêmio Machado de Assis de Literatura, pelo conjunto de sua obra, que lhe foi entregue por Jorge Amado.

Recebe, em 1974, do Governo do Estado do Pará, o título honorífico de “Honra ao Mérito”.

A segunda edição de seu romance “Chove nos campos de Cachoeira” é lançada em 1976 pela Livraria Editora Cátedra. “Os habitantes” é publicado pela Editora Artenova. Lançou, também, pela Record, o livro “Chão dos lobos”. Fez diversas viagens a nações da América do Sul e a países socialistas e europeus.

“Ribanceira” foi publicado, pela Record, em 1978, e, no ano seguinte, a segunda edição de “Marajó”, pela Cátedra.

No dia 16 de junho de 1979, o escritor falece na cidade do Rio de Janeiro (RJ), sendo sepultado no Cemitério de São João Batista.

A prefeitura de Belém homenageia o autor, dando seu nome a uma praça pública naquela cidade.

O prefeito da cidade do Rio de Janeiro, Dr. Israel Klabin, dá seu nome a uma rua no Condomínio Riviera dei Fiori, na Barra da Tijuca.

Em Ponta de Pedras, sua cidade natal, há uma escola com seu nome.

Em 2001 concorre com demais personalidades ao título de "Paraense do Século". No mesmo ano, em novembro, é realizado o Colóquio Dalcídio Jurandir, homenagem aos 60 anos da primeira publicação de Chove nos Campos de Cachoeira.

Em 2003, foi criado o Instituto Dalcídio Jurandir, na Casa de Rui Barbosa, na cidade do Rio de Janeiro. O Instituto foi idealizado pelo Professor Ruy Pinto Pereira, que é seu presidente. Na ocasião, todo o acervo do autor foi doado por seus filhos — Margarida e José Roberto — para o Arquivo–Museu de Literatura Brasileira daquela Casa.

Em 2004, Dalcídio foi o patrono da VIII Feira Pan-Amazônica do Livro, ocorrida entre 17 e 26 de setembro daquele ano.

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Heróis do PCB Paraense: Dalcídio Jurandir - Introdução

Olá camaradas!
Damos início a uma empreitada gigantesca, narrar um pouco da história do PCB no Pará através de seus heróis, sim exatamente nosso objetivo é dar aqui um testemunho da Odisséia do partido comunista brasileiro em nosso estado e para tanto vamos reverênciar a memória daqueles camaradas que sempre estiveram à frente da organização de nosso partido e por isso mesmo na alça de mira da burguesia e do latifundio paraense.

Para cumprir essa missão resolvemos tratar um pouco da vida e da obra do nosso camarada Dalcídio Jurandir, principalmente em face do seu recentemente comemorado centenário de nascimento. Esperamos que nossos amigos gostem e por favor fiquem a vontade para corrigir ou adendar as informações que aqui forem publicadas.

"Trabalhando o barro do princípio do mundo, do grande rio, a floresta e o povo das barrancas, dos povoados, das ilhas, da ilha de Marajó, ele o faz com a dignidade de um verdadeiro escritor, pleno de sutileza e de ternura na análise e no levantamento da humanidade paraense, amazônica, da criança e dos adultos, da vida por vezes quase tímida ante o mundo extraordinário onde ela se afirma." (Jorge Amado, Saudação a Dalcídio Jurandir)

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Programa de TV do PCB em rede nacional

Olá camaradas!
Amanhã, 25 de março de 2010, será transmitido em rede nacional o programa político do PCB. O programa será veiculado às 20:30h.

Aproveitamos para divulgar o canal do PCB no Youtube: Canal do PCB

Neste canal você encontra os programas anteriosres do PCB, assim como diversos vídeos produzidos pelo partidão.

Na data também serão comemorados os 88 anos de vida do partidão. Parabéns a todos

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O PCB vai lançar candidato próprio a presidência da república

POR QUE O PCB VAI APRESENTAR CANDIDATURA PRÓPRIA NAS ELEIÇÕES PRESIDENCIAIS
Nota Política do PCB

O PCB julga-se no dever de esclarecer:

1 Não nos imiscuímos em assuntos internos de outros partidos. Assim sendo, como partido, não temos nem preferências nem vetos em relação aos dignos e valorosos companheiros do PSOL que disputam internamente a indicação como candidato à Presidência da República.

2 Em programa institucional no próximo dia 25 de março, em cadeia nacional de rádio e televisão, informamos ao povo brasileiro a determinação de nos apresentarmos nas eleições presidenciais deste ano com identidade própria, sem prejuízo de coligações, no campo da oposição de esquerda, em algumas eleições estaduais. A data do anúncio coincide com o aniversário de 88 anos do PCB, fundado em 25 de março de 1922.

3 Esta atitude é conseqüente com nossa postura desde o início de 2006, quando já deixávamos claro que não estávamos procurando uma mera coligação eleitoral e muito menos candidaturas, mas a construção de um bloco na perspectiva de uma frente anti-imperialista e anticapitalista permanente, para além do PCB, PSOL e PSTU (incluindo movimentos e organizações populares) e para além das eleições.

4 Em 2006, a coligação eleitoral então denominada - Frente de Esquerda - dissolveu-se, na prática, dois meses antes das eleições. Suas únicas reuniões, até junho de 2006, tiveram como pauta exclusiva os acordos em torno de candidaturas. Desde então, não houve qualquer reunião trilateral e, no caso pelo menos do PCB, nem bilateral, além de episódicos e superficiais contatos regionais.

5 Para o PCB, foi equivocado o desinteresse em discussões sobre a conjuntura, a tática e estratégia dos caminhos ao socialismo, que gerassem consensos programáticos. Fizemos em 2006 uma campanha presidencial sem programa, abrindo espaço para a então candidata da coligação expor suas opiniões pessoais que, em muitos casos, não correspondiam nem às do seu próprio partido.

6 Jamais, enquanto partidos, confrontamos nossos pontos de vista sobre qualquer tema, sendo que em alguns temos divergências importantes, algumas inconciliáveis. Entre estas, há questões que nos são muito caras, como a necessidade de criação de uma organização intersindical classista que seja baseada na centralidade da luta do trabalho contra o capital, a atualidade da construção de uma frente anticapitalista e anti-imperialista para além do economicismo e das eleições e o internacionalismo proletário, com a solidariedade firme e inequívoca à Revolução Socialista cubana, aos processos de mudanças na Venezuela e na Bolívia, ao povo palestino e aos demais povos em luta.

7 Sempre defendemos a necessidade de uma construção programática que envolvesse muito mais que os três partidos da Frente de Esquerda, com vistas à formulação de uma alternativa de poder que venha a se contrapor ao bloco conservador, como ponto de partida de possíveis coligações eleitorais, evitando que a disputa e decisão sobre os nomes e candidatos ocorra antes e, na maioria das vezes, no lugar da discussão programática de eixos mínimos que possam representar a reorganização de um bloco revolucionário do proletariado.

8 No entanto, estamos no final de março de 2010 e até agora só temos notícias das intenções dos partidos que compuseram aquela coligação pelos meios de comunicação ou por informes que nos chegam sobre o processo de escolha de candidatura presidencial no PSOL, que começou com a opção de Heloísa Helena por disputar o Senado, depois o desencontro previsível com Marina Silva e agora com a disputa interna ainda em curso.

9 Não podemos deixar de registrar também nossa contrariedade com os rumos tomados pela então Frente de Esquerda, no que tange aos parlamentares eleitos com a soma de votos de dezenas de candidatos dos três partidos que a compuseram. Os mandatos, em especial os de âmbito nacional, não contribuíram para a unidade e a continuidade da mesma. Como acontece com os partidos convencionais, foram tratados como de propriedade dos eleitos, sem qualquer interação ou mesmo consulta política aos partidos que os elegeram. A preocupação principal desses mandatos foi garantir a própria reeleição.

10 Queremos manter com os partidos, organizações e movimentos classistas que, como nós, vêem a ruptura do capitalismo como a única possibilidade de transição para o socialismo, uma relação independente, baseada em consensos programáticos e na ação unitária no movimento de massas, o que não significa necessariamente estarmos juntos nas mesmas entidades, organizações e coligações.

PCB - Partido Comunista Brasileiro
Comitê Central

22 de março de 2010

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sexta-feira, 19 de fevereiro de 2010

ENTREVISTA COM IVAN PINHEIRO, SOBRE AS ELEIÇÕES DE 2010

A Revista CAROS AMIGOS número 155, que está nas bancas, apresenta uma reportagem especial ELEIÇÕES 2010 Disputa de projetos ou falsa polarização?, em forma de entrevistas com representantes de sete Partidos do campo democrático-popular e da esquerda, segundo classificação da jornalista Tatiana Merlino.

São entrevistados, com as mesmas perguntas, Brizola Neto (PDT), Ivan Pinheiro (PCB), Ivan Valente (PSOL), José Eduardo Dutra (PT), José Maria de Almeida (PSTU), Luiza Erundina (PSB) e Renato Rabelo (PCdoB).

Aqui estão, na íntegra, as respostas do Secretário Geral do PCB, camarada Ivan Pinheiro.
Secretariado Nacional do PCB


O que está em jogo nessas eleições?

Deveria estar em jogo um intenso debate sobre os grandes problemas nacionais, uma discussão ideológica, o confronto de projetos, a política externa brasileira, a integração da América Latina, a soberania nacional, a reestatização da Petrobrás, a redução da jornada de trabalho, a reforma agrária e outros temas sobre o presente e o futuro do país. Infelizmente, as oligarquias e a mídia podem, com a força que têm, fazer desta eleição um par ou ímpar entre dois projetos de administração do capital, um capitaneado pelo PT e outro pelo PSDB.
Há um risco de os candidatos deste campo, que disputam quem é mais eficiente para alavancar o capitalismo brasileiro, ficarem disputando qual mandato de 8 anos (FHC ou Lula) apresentaram os melhores indicadores macroeconômicos: quem mais deu confiança aos investidores internacionais, quem "destravou" mais a economia, quem criou mais e piores empregos, quem reduziu mais o "Risco Brasil" etc.

O que pode mudar no cenário político do país?

Se o debate for centrado na administração do capital vai mudar muito pouco. Podem mudar os comandantes da máquina pública, do balcão de empregos e interesses. Alguma mudança de estilo. Se as oligarquias conseguirem "americanizar" as eleições de 2010, ou seja, uma disputa entre a coca-cola e a pepsi-cola, as mudanças serão menores ainda. No mundo todo, a burguesia força a barra para estabelecer um bipartidarismo no campo da ordem, para afastar o risco de uma alternativa de esquerda. O que pode determinar mudanças no Brasil são fatores externos, como os desdobramentos da crise do capitalismo, a tendência do imperialismo a potencializar sua agressividade e outros fatores.
As mudanças serão pequenas até porque Lula, na questão principal (a política econômica) manteve a orientação do governo FHC. E este modelo não estará em debate. O que estará em debate é a forma de administrá-lo. Além do mais, as diferenças entre Lula e Alckmin eram mais notáveis e significativas do que aquelas entre Dilma e Serra.
O que pode provocar alguma mudança, na realidade, é o fato de Lula não ser o Presidente a partir de 2011. Ninguém, como ele, tem a capacidade de fazer a conciliação entre o capital e o trabalho. Nada melhor do que um ex-operário formado no sindicalismo de resultados para fazer um governo em que o capital aumente sua parcela no PIB em relação ao trabalho e este interprete isso como um mal necessário, para manter empregos, mesmo que a cada dia mais precarizados. Para a burguesia que pensa, que não é troglodita, o melhor cenário seria um terceiro mandato para Lula.

O que deve ser defendido pelas esquerdas?

Primeiro, temos que precisar o que significa esquerda hoje, nesta diluição ideológica e nesta manipulação de conceitos. Até o PPS (aliado do DEM e do PSDB) se considera "de esquerda". Os socialdemocratas e social-liberais que apóiam incondicional e sistematicamente o governo Lula se consideram "de esquerda". Aliás, no Brasil, ninguém assume que é "de direita".
Vou falar, portanto, do que considero como esquerda, um campo político que, à falta de definição melhor, posso chamar de esquerda revolucionária ou esquerda socialista, ou seja, aquela que não quer reformar o capitalismo, mas superá-lo.
Portanto, penso que a verdadeira esquerda no Brasil deve envidar esforços no sentido de criar uma frente, de caráter anticapitalista e antiimperialista, permanente, para além das eleições, voltada para a luta de massas. Não pode ser apenas uma coligação eleitoral, como foi a chamada frente de esquerda em 2006, que se dissolveu antes mesmo da realização do primeiro turno; e que não tinha programa, mas apenas candidatos.
Esta frente deve incorporar, além dos partidos políticos registrados no TSE, todas as organizações políticas, político-socias e movimentos populares que se coloquem no campo da superação do capitalismo, na perspectiva do socialismo. O programa desta frente deve ser conformado não pelas cúpulas das organizações que a compõem, mas a partir de um amplo debate a partir das bases.

O que pode significar avanço ou retrocesso para o processo de redemocratização do país?

O problema hoje no Brasil não é o risco de um golpe militar clássico ou de novo tipo, como o que se deu na Venezuela, em 2002, como tentativa, e agora em Honduras, como realidade. Os maiores riscos de retrocessos políticos são a criminalização dos movimentos sociais e da pobreza, as restrições ao direito de greve, as limitações aos partidos políticos de esquerda, através de cláusulas de barreira etc.

Os riscos maiores de retrocesso na questão democrática são principalmente os de âmbito mundial. Com a crise do capitalismo e a acirrada disputa por recursos naturais não renováveis, o mundo corre riscos de guerras e conflitos de todo o tipo, com o recrudescimento da agressividade do imperialismo.

Como os movimentos sociais podem interferir nesse processo?

Os movimentos sociais têm um papel fundamental a desempenhar no processo de mudanças sociais, desde que não se limitem à esfera de sua atuação específica, à parcialidade da luta. O MST é um excelente exemplo de um movimento social, a meu ver o mais importante do Brasil, que soube compreender isso. Hoje, o MST não é um apenas um movimento social, mas incide na questão política, como a luta em defesa da Petrobrás e até na solidariedade internacional.

Por isso, temos defendido que os movimentos populares participem da frente anticapitalista e antiimperialista, no mesmo espaço com organizações políticas.

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quinta-feira, 18 de fevereiro de 2010

Marcha contra Usina de Belo Monte

O PCB do Pará estava presente nessa marcha

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quarta-feira, 17 de fevereiro de 2010

Software livre como manifestação do socialismo na era digital

O Software livre abriu uma nova oportunidade de realizar negócios partindo de uma premissa socialista que é o trabalho coletivo no desenvolvimento e a apropriação também coletiva do fruto desse trabalho, ao mesmo tempo grandes empresas, como IBM, Novell, Red Hat, dentre outras tentam "enquadrar" o sistema operacional Linux e outras iniciativas baseadas no software livre, tentando domesticar ou direcionar o funcionamento desse trabalho coletivo para desenvolver soluções e produtos que possam ser vendidos e apropriados pelas mesmas.

Essas empresas enxergaram corretamente que a grande jogada do software livre é o trabalho coletivo ,ou seja, um verdadeiro "ecossistema" composto por diversas comunidade trabalhando em paralelo, que se apropriam do projeto e o desenvolvem, assim para essas empresas seria a oportunidade de ter um gigantesco exército de programadores de forma quase gratuita, representando um mão-de-obra extremamente barata e qualificada, enquanto teriam que "manter" ou contratar apenas um grupo especifico de programadores mais criativos ou líderes para fazer a tarefa de gerência desse projeto. A princípio isso poderia gerar uma vantagem gigantesca sobre os demais concorrentes que ainda estariam presos ao sistema de trabalho mais antigo.

Outra característica importante de ressaltar sobre esse "ecossistema" de comunidades, seria a forma extremamente descentralizada de sua organização, ao mesmo tempo altamente produtiva, visto que essas comunidades trabalham de maneira coordenada, cooperativa e em paralelo, criando, de forma concomitante, melhorias para um projeto assim como variações e novos projetos surgidos a partir desse, não bastando isso temos que analisar também o alcance mundial dessas comunidades permitindo o trabalho 24 horas por dia praticamente todos os dias do ano, visto que se num país anoitece e um grupo se prepara para "largar o expediente" outro grupo em outro pais ou continente assume o "turno". Como o trabalho é em geral "voluntário" não existe carga horária fixa ou dia de semana fixo, podendo se estender por mais de 10 horas diárias, abrangendo todos os dias da semana inclusive sábados, domingos e feriados.

O grande problema para essas empresas é justamente o que as atrai, o caráter socialista e voluntarioso do software livre, ou seja, não há como monopolizar, restringir esse trabalho a um grupo ou empresa especifica, pois da mesma forma que eles podem se apropriar dos frutos do trabalho coletivo qualquer pessoa ou empresa também pode fazer o mesmo ou com base nesse trabalho criar uma solução sua, particular, para um problema particular e dessa forma auferir lucro, não só com a venda do produto mas com toda a gama de serviços existente em torno da solução, tais como treinamento, instalação e personalização. Todas essas características do software livres estão descritas e regulamentadas na licença GPL, documento que garante o acesso de todos os que quiserem não só ao software ou tecnologia como também aos seus códigos fontes. Por todas essa características e por botar em cheque o processo de apropriação particular do trabalho coletivo podemos afirmar que o software livre, é no ramo tecnológico, a manifestação do trabalho socialista.

OBS: Este artigo é de autoria do nosso colaborador Cláudio Alfonso

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segunda-feira, 18 de janeiro de 2010

Igrejas evangélicas, novo curral eleitoral

Olá camaradas.

As igrejas de modo geral e mais especificamente as igrejas de cunho evangélico, se transforam em verdadeiros currais eleitorais, onde a promessa de uma vida eterna se mistura com a promessa de riqueza material aos seus seguidores. Como se não bastasse isso, vemos essas igrejas lideradas por "pastores" e "bispos" ocupando espaços nos governos e dentro desses espaço criando verdadeiros puleiros de apaniguados.

Um exemplo claro disso é a ação entre amigos promovida pela Igreja Evangélica Quadrangular dentro das dependências do DETRAN no governo estadual do Pará. Além de nomear seus "pastores e pastoras" em todos os principais cargos deste órgão, promove um verdadeiro festival de contratação de temporários que de novo remete aos obreiros de suas igrejas. Além disso também cometem o "pecado" do desmando mandando retirar multas de seus amigos e protegidos. Mais detalhes sobre essa história cheia de lances sórdidos no Blog do Barata

http://novoblogdobarata.blogspot.com/2010/01/detran-denuncia-revela-tramoia-de.html

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sexta-feira, 8 de janeiro de 2010

Entrevista do Sec. Político Ivan Pinheiro do PCB ao Jornal Pravda

1 - O que aconteceu com o Partido Comunista Brasileiro, em 1992?
Em 1992, a maioria do Comitê Central do PCB tentou liquidar o Partido. Eles se aproveitaram dos problemas da construção do socialismo, dos erros que foram cometidos naquela experiência, cujo saldo é positivo, para tentar acabar com o partido. Mas um terço do Comitê Central e grande parte da militância resolveram manter o partido. Passamos tempos difíceis, na reconstrução revolucionaria do Partido. Tivemos que recuperar nosso registro e nossa legenda juridicamente, refazer toda a estrutura material do partido. Hoje estamos fazendo 18 anos dessa reconstrução.

2 - Desde 1992 até o XIV Congresso, como o companheiro relata a reconstrução do Partido Comunista Brasileiro? O camarada acha que o Congresso atingiu seus objetivos principais?
O XIV Congresso Nacional do PCB (que contou com a prestigiosa presença
da FPLP), a nosso ver, marca a consolidação desse processo de
reconstrução e cria condições para o PCB crescer com qualidade.
Achamos que se não cometermos erros, se mantivermos essa coerência
política que temos mantido nos últimos anos, o PCB pode ser um
estuário dos revolucionários brasileiros. É claro que esta
reconstrução foi um processo difícil nos primeiros anos. A grande
unidade que tínhamos no início da década de 90 era manter o PCB. Mas
isso não era suficiente; não se tratava apenas de manter o partido
pela sua história, como se fosse um patrimônio histórico. Quando
começamos a discutir para o que servia o partido, aí começaram a
aparecer algumas divergências. Só no fim da década passada é que
começa a se manifestar no PCB um consenso hegemônico em torno de
algumas questões que marcam esse momento que nós estamos vivendo, e
que eu caracterizaria com dois grandes temas: a revolução socialista e
o partido leninista.

3 - Onde estão as dificuldades que impedem a unificação dos partidos
de esquerda Brasileira?
A divisão dos partidos de esquerda não há só no Brasil, é uma divisão
que perpassa toda a esquerda mundial, em torno de uma velha discussão
entre reforma e revolução. Um partido de esquerda determina sua linha
política em função de como ele vê a sociedade. No nosso caso,
avaliamos que o fator mais importante desta divisão é a localização de
qual é a contradição fundamental de uma sociedade. Nós achamos que no
Brasil a contradição fundamental da sociedade é entre o capital e
trabalho e há alguns setores de esquerda que acham que é entre a nação
brasileira (incluída a burguesia) e o imperialismo. Daí derivam as
divergências, que têm a ver com a possibilidade ou não de fazer
aliança com a burguesia. No nosso caso, acreditamos que não existe
possibilidade de aliança com a burguesia brasileira.

4 - O presidente Luís Inácio Lula da Silva, considerado da esquerda,
como o PCB avalia o governo de Lula referente à política interna e a
política externa?
Na nossa avaliação, Lula nunca foi de esquerda; Lula é um democrata,
um social liberal. Mas nunca enganou ninguém; quando tomou posse disse
que iria fazer um espetáculo do crescimento capitalista. Ele é um
sindicalista de resultado que leva isso para o exercício da
presidência da república. Na realidade, não existe meio termo: ou se é
socialista ou capitalista. Por exemplo, a política econômica do
governo Lula é idêntica praticamente à do FHC.
Lula nomeou como presidente do Banco Central Henrique Meirelles, que
era presidente do Banco de Boston, um representante do capital. Ele
foi nomeado na frente do Bush, antes da posse do Lula.
A política externa do governo Lula é a política externa do estado
capitalista brasileiro, que chamam de pragmatismo responsável. O
centro desta política é fazer o capitalismo brasileiro se transformar
numa potência mundial, uma potência capitalista mundial.
Já que estamos falando em uma entrevista que tem como público
principal nossos irmãos palestinos e do Oriente Médio em geral, um bom
exemplo da postura do governo brasileiro na política externa foi na
questão da invasão sionista à faixa de Gaza. Lula ficou em cima do
muro fazendo declarações ora para um lado, ora para outro.

5 - Na América Latina, presencio muitos fatos importantes, entre eles
a chegada de várias personalidades populares ao poder em vários países
como Venezuela e Bolívia, além do Brasil, Equador, Chile, Argentina,
Paragua. Como o companheiro relata este avanço da esquerda em América
Latina ?
Realmente há um avanço progressista na América Latina, um avanço
grande e importante, positivo, mas sujeito a retrocessos e
contradições. E é desigual também, com relação ao enfrentamento ao
imperialismo, ao ritmo, à qualidade e intensidade das mudanças
sociais. Desse ponto de vista, podemos dividir a América Latina em
três grupos: um primeiro grupo é mais à esquerda, mais representativo
dessas mudanças sociais, como é o caso de Cuba, que inspirou e
possibilitou outros processos revolucionários. Temos aí também neste
grupo os casos da Venezuela, Bolívia e, em menor medida, do Equador.
Por outro lado, tem um grupo de países que nós chamamos de governos
sociais liberais, especialmente no cone-sul do Brasil, e ai nós
estamos falando de Brasil, Chile, Paraguai, Uruguai e Argentina. São
experiências reformistas, mas dentro da lógica do capital. Esses
governos não têm nenhum interesse em participar de uma articulação
continental antiimperialista, como é o caso da ALBA. E, finalmente, na
América Latina tem três países cujos governos são alinhados ao
imperialismo americano: México, Peru e Colômbia. Foram exatamente
estes três países que firmaram acordos bilaterais com os Estados
Unidos, os chamados TLC’s (Tratados de Livre Comércio). O mais
perigoso deles é o governo da Colômbia, o governo Uribe, que é um
fascista, que é um verdadeiro narcotraficante, que está transformando
a Colômbia numa grande base militar ianque, uma situação que o mundo
árabe bem conhece. A Colômbia está virando para a América Latina o que
representa Israel para o Oriente Médio, ou seja, uma grande base
militar terceirizada do imperialismo norte-americano.

6 - As 7 bases militares americanas foram construídas na Colômbia
recentemente, além das outras bases no Paraguai e Suriname e vários
países na América Latina, o companheiro pode relatar qual é o
interesse do imperialismo americano na América Latina?
É importante registrar que a América Latina passa por um momento de
muita tensão. Há três ou quatro anos atrás, quem diria que a América
Latina poderia se transformar numa região com riscos de conflitos
militares? O imperialismo está prestando mais atenção na América
Latina, preocupado com as mudanças que foram aos poucos se
implantando; e resolveram tentar dar um basta nessas mudanças. E estão
jogando pesado. Reativaram a “Quarta Frota”, que estava desativada
desde a segunda guerra mundial. E é uma frota que percorre os mares da
América do Sul, Central e Caribe, armada até os dentes. Estão criando
mais setes bases militares na Colômbia. O golpe em Honduras já é parte
desta agressividade: tem o DNA, as pegadas, as digitais do
imperialismo americano, antes, durante e depois. Eles fizeram todo um
teatro, de que não estavam por trás do golpe, mas o mundo, pelo menos
o mundo mais bem informado, mais politizado, já sabe que aquele foi um
golpe articulado pela CIA, pelo Departamento de Estado.
O problema dos Estados Unidos aqui na América Latina não é apenas a
guerra, por que eles precisam de guerra, para poder vender seus
produtos, a sua grande indústria hoje é a indústria bélica, o que nós
chamamos de complexo industrial militar. Eles têm três objetivos na
América Latina como em geral no mundo todo: fazer guerras para vender
produtos do complexo industrial militar, tentar barrar o processo de
mudanças sociais e, em terceiro lugar, se assenhorar, saquear as
grandes riquezas naturais que a região tem, mesmo depois de quatro
séculos de exploração, muito bem expostos por Eduardo Galeano, no
Livro as “Veias Abertas da América Latina”. Eles sabem que aqui ainda
há muita riqueza, petróleo e gás em abundância, reservas de água
potável, biodiversidade, muitos outros recursos minerais, apesar de
tudo que os espanhóis, os portugueses e depois os ingleses e
americanos já saquearam.

7 - Durante 2 décadas, vários acontecimentos mundiais aconteceram, que
deixaram os Estados Unidos dominando o mundo, praticando, julgando e
punindo seus inimigos, conforme seus interesses e objetivos. Sem o
sistema Socialista, sem a União Soviética, a nova ordem mundial,
globalização, mais guerras no Afeganistão, Iraque, como o Partido
Comunista Brasileiro entende as mudanças e estas guerras?
A queda da URSS foi uma derrota para os trabalhadores do mundo todo.
Até então o mundo era bipolar, ou seja, havia duas potências, os
Estados Unidos e a URSS, que disputavam a hegemonia do mundo em
condições de igualdade e isso permitia à URSSS impor uma correlação de
forças que garantia dessa forma um pouco de paz, paz no sentido da
luta antiimperialista, porque a URSS deu solidariedade a muitos países
na luta contra o imperialismo.
A queda da URSS provocou também um enfraquecimento dos partidos
comunistas e de esquerda, dos sindicatos. Durante quase duas décadas,
prevaleceu um mundo unipolar, ou seja, um mundo que só tinha um pólo,
um pólo capitalista, hegemonizado pelos EUA. A falta da URSS provocou,
por exemplo, a perda de direitos trabalhistas no mundo todo e o
esvaziamento do papel do Estado, as privatizações.
Mais cedo do que imaginávamos, estão surgindo outros pólos no mundo,
mas é bom registrar, para que não se tenha no campo da esquerda
nenhuma ilusão, que se trata ainda de uma multipolaridade no campo do
capital. Mas há também a crise do capitalismo e uma tendência de
recuperação do poder de força dos partidos comunistas, dos sindicatos,
o acirramento da luta de classes; enfim, há um ambiente hoje mais
propício para a esquerda no mundo. Mas o capitalismo ainda tem bala na
agulha, ainda tem gordura para queimar. Apesar de os EUA virem
gradualmente perdendo um pouco de sua hegemonia no campo político, no
campo ideológico e até econômico, não podemos nos iludir, porque no
campo militar o mundo é quase unipolar ainda.

8 - Desde 1947 a ONU em sua resolução 181, a partilha da Palestina, o
voto do Brasil foi decisivo para a criação do Estado de Israel, e as
resoluções da Assembléia Geral não é obrigado a ser aceito pelas
partes, como o PCB vê o voto de Oswaldo Aranha, e qual é a sua visão
sobre este conflito daquele ano?
A meu ver, a decisão da ONU, em 1947, pela criação do Estado de Israel
em terras palestinas – em que alguns dos países votantes talvez
considerassem a possibilidade de uma coexistência pacífica entre os
povos judeu e palestino – acabou se mostrando trágica e desastrosa. Se
o Estado de Israel fosse criado em outra região do mundo, como chegou
a ser aventado pelos próprios judeus no início do século XX, o
sionismo teria dificuldade de formular a ideologia da “terra
prometida”, que embasa sua agressividade. A tendência talvez fosse um
estado laico. Esta Resolução da ONU foi influenciada por alguns
fatores, inclusive conjunturais, como a solidariedade mundial frente
às atrocidades cometidas pelos nazistas, no que ficou conhecido como
holocausto, cuja existência não se pode negar.
Antes da decisão da ONU, a partilha da Palestina já vinha sendo
negociada e implementada pela burguesia sionista, com o apoio da
Inglaterra e dos Estados Unidos, estimulando o fluxo de judeus para o
território palestino, ou seja, uma ocupação gradual e conflituosa, que
já encontrava a resistência dos palestinos. A decisão da ONU, em
verdade, veio “legalizar” uma ocupação de fato.
Por mais que a antiga União Soviética (que também votou a favor)
tivesse ilusões de ajudar a criar um Estado laico e progressista,
vendo o grande número de judeus pobres que migravam para terras
palestinas, dentre eles muitos comunistas, a criatura da ONU de 1947
acabou sendo hegemonizada pelo sionismo e se transformando numa cunha
do imperialismo no Oriente Médio.
Ocorre que os ideólogos sionistas supervalorizam o holocausto, como se
só os judeus tivessem sido vítimas de atrocidades, manipulando a
história e inclusive tentando apagar o papel decisivo que
principalmente a URSS e também outros países tiveram na derrota do
nazifascismo. Não teve povo que teve mais perdas na Segunda Guerra que
o povo russo. E a batalha decisiva se travou em seu território. E o
incrível é que valorizam tanto o holocausto provocado por Hitler, que
se sentem no direito de cometer qualquer agressão ao povo palestino. E
ainda não aceitam que chamemos a tragédia palestina de holocausto
palestino, que é como devemos caracterizar, até para chamar a atenção
do mundo para o tema.
Há décadas o sionismo usurpa as terras dos palestinos, reprime e
prende os que resistem, destrói sua cultura, promove uma limpeza
étnica nos territórios ocupados. São mais de 11 mil presos políticos e
mais de 4 milhões de refugiados, vivendo precariamente nas fronteiras
da Síria, do Líbano e da Jordânia.

9 - A ONU sempre teve papel importante em solucionar vários
conflitos, como vê o papel da ONU referente ao conflito Palestino
israelense?
A ONU já teve um papel mais importante quando existia a URSS, que
tinha um peso muito grande no Conselho de Segurança, inclusive poder
de veto.
Com a queda da URSS, a ONU já não é mais a mesma e também com a
abertura da economia chinesa. Por mais que a China ainda mantenha
alguns fundamentos socialistas, o fato de ter grande peso no mercado
capitalista mundial limita sua atuação mais independente no âmbito
internacional.
Hoje a ONU, apesar de algumas contradições e apesar de suas instâncias
que reúnem o conjunto dos países em geral terem posições mais
progressistas, esbarra sempre num Conselho de Segurança que é
hegemonizado pelo imperialismo.
Desde sua fundação, Israel tem praticado massacres e agressões contra
o povo palestino , muitos condenados pela ONU, que efetivamente não
teve nenhum poder para punir Israel em absolutamente nada, em função
do veto de seu parceiro e protetor, o imperialismo norte-americano.
Na faixa de Gaza, Israel praticou vários crimes contra a humanidade e
acaba de ser condenado pelo Conselho de Direitos Humanos da ONU e, no
entanto, o Conselho de Segurança da ONU não faz nenhuma retaliação a
Israel.

10 - Durante mais de 60 anos Israel praticou massacres contra o povo
palestino, consideradas crimes contra a humanidade, começando pelo
massacre de Deir Yassin em 1948, onde foi assassinado mais de 110
palestinos da Aldeia de Deer Yassin. Lembrando Sabra e Chatila, em
1982, mais de 2000 palestinos foram assassinados brutalmente, até seus
últimos crimes recentemente na Faixa de Gaza, o Relatório de
GoldenStone confirmou que Israel praticou massacres contra a
humanidade na Faixa de Gaza, o companheiro como advogado o que acha
que deveria fazer, e o qual a solução para levar os criminosos para os
tribunais internacionais? E que atitude as forças de esquerda
brasileira deveriam assumir no sentido para levar os criminosos de
guerra para os tribunais?
Eu creio que todos os democratas, os socialistas de todo o mundo devem
continuar uma campanha intensa no sentido de levar para os tribunais
internacionais os criminosos de guerra de Israel. Infelizmente, não
acho que o Estado de Israel esteja pronto para alcançar uma paz no
Oriente Médio. Pelo contrário, o que temos visto é o aumento da
agressividade sionista com a expansão dos assentamentos com o “muro da
vergonha”. Com a invasão de Gaza, o cerceamento da liberdade com a
prisão de milhares de militantes palestinos o que Israel tem feito é
tentar inviabilizar o futuro Estado palestino, inclusive com a
ocupação territorial, a separação de Gaza da Cisjordânia com
assentamentos irregulares e ilegais. O que ocorre é que Israel, com
essa política, acaba inviabilizando na prática a idéia da coexistência
pacífica: dois povos, dois Estados, simplesmente porque está
desfigurando e acabando com o território palestino original. Para se
ter uma idéia da resistência de Israel aos direitos do povo palestino,
Israel não aceita nem a proposta rebaixada da Autoridade Nacional
Palestina de criar um Estado palestino descontínuo, apenas na
Cisjordânia, Faixa de Gaza e Jerusalém Oriental. Além de afirmar que
“Jerusalém é indivisível”, Israel ainda ameaça retaliar os palestinos
se este Estado, limitado e descontínuo, for estabelecido.
As forças de esquerda, democráticas e progressistas brasileiras devem
reforçar a campanha mundial para levar os criminosos de guerra aos
tribunais internacionais, uma das formas de evitar a repetição dessas
atrocidades. Os Comitês de Solidariedade ao Povo Palestino têm que se
reproduzir em todos os Estados brasileiros e se fortalecer através da
unidade de ação, para criar as condições para a realização, no momento
oportuno, de um grande congresso ou conferência nacional de
solidariedade à Palestina.

11 - Qual é a mensagem, como dirigente do PCB, o camarada manda para o
povo palestino e os povos arabes?
Nossa mensagem vai no sentido de dizer para o povo palestino e para
todos os povos árabes que aqui na América Latina, inclusive no Brasil,
há uma grande simpatia, uma grande solidariedade à luta desses povos,
que devem perseverar, pois a vitória será certa. Mas devemos nos
preocupar com o recrudescimento da agressividade sionista e
imperialista, pois quanto mais se agravar a inevitável crise do
capitalismo, mais recorrerão a guerras de baixa, média e grande
intensidade, golpes de Estado e todas as formas de truculência,
política e militar, para tentar frear a resistência dos povos e
saquear suas riquezas.

Fonte: http://port.pravda.ru/news/mundo/28572-0/

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quarta-feira, 6 de janeiro de 2010

Canal de vídeos do PCB no Youtube

Olá camaradas,
Para quem não conhece fica a dica do Canal de Vídeos do Youtube (www.youtube.com/videosdopcb). Temos diversos vídeos sobre o partido, história, programas de tv, programas eleitorais, eventos, etc. Visitem e deixem seus comentários.

Aqui o programa do PCB na TV no mês de seu aniversário

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Em busca de um novo visual

Além da retomada deste projeto NÃO OFICIAL de blog do PCB paraense, estamos buscando um novo visual mais adequado, portanto é possível que demoremos um pouco mais para começar a por tópicos para valer! neste blog. Nosso limite é até segunda 11 de janeiro.

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domingo, 3 de janeiro de 2010

Novo ano novo blog

Estamos na realidade retomando um antigo projeto (2005) de termos um blog para divulgar as ideias e as ações do Partido Comunista Brasileiro - PCB aqui no Estado do Pará. Pois bem aqui estamos! E iremos começar a publicar as notícias do comunistas paraneses.

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